No dia de seu aniversário, 18 de abril, comemora-se o Dia Nacional do Livro Infantil. Apenas uma mostra da importância da obra e da criatividade de um dos maiores gênios da literatura brasileira
Ricardo Ampudia (novaescola@atleitor.com.br)
Seu primeiro livro para crianças, A Menina do Narizinho Arrebitado, foi publicado em 1920 e, desde então, sua fantasia já atravessou décadas e segue para a terceira geração de leitores, em várias re-edições e até adaptações para a televisão, do mundo hiperrealístico do Sítio do Pica-pau Amarelo.
Nesse lugar fantástico acontecem as aventuras de Narizinho e Pedrinho na companhia de Visconde de Sabugosa, um sabugo de milho que era um sábio, Emília, uma boneca de pano falante, Quindim, um rinoceronte domesticado e Rabicó, um porco com título de marquês. Tudo sob a tutela de uma ama negra superprotetora, Tia Nastácia, e de Dona Benta, a avó das crianças. Vislumbrado pela literatura infantil mundial, Lobato fez também Peter Pan, Alice, personagens da mitologia e até o Gato Félix passearem pelo Sítio.
Por meio de linhas inventivas ou críticas, o escritor retratou um Brasil cultural e socialmente atrasado e, ao mesmo tempo, deixou-se também levar pela fantasia do imaginário infantil, no qual criou seu maior legado à literatura brasileira: a possibilidade de criar o impossível.
Biografia
Nascido em 18 de abril de 1882, em Taubaté, no Vale do Paraíba (interior de São Paulo), José Renato Monteiro Lobato - que, mais tarde resolveu mudar sou nome para José Bento Monteiro Lobato - já demonstrava gosto pela leitura e pela escrita desde os tempos de escola, escrevendo para jornaizinhos acadêmicos quando adolescente.
Perdeu o pai aos 15 anos e a mãe, aos 16. Seguindo a vontade do avô, concluiu os estudos e cursou Direito na Faculdade do Largo São Francisco, em São Paulo.
Foi nomeado promotor público na cidade de Areias, no interior do estado, mas não exerceu a função por muito tempo. Após a morte do avô, mudou-se para Buquira (hoje Monteiro Lobato), para morar em uma fazenda que herdara.
Ali iniciou sua projeção como grande escritor. Com base em personagens reais, criou o mundo fantástico do Sítio do Pica-Pau Amarelo e fez a denúncia da exclusão social com artigos para o jornal O Estado de S. Paulo. Esses textos, protagonizados pela figura de Jeca Tatu, formariam seu primeiro livro Urupês, em 1918.
Entediado com a vida na fazenda e sem o rendimento esperado, vendeu a propriedade e comprou a Revista do Brasil, abrindo espaço para novos nomes da literatura mostrarem seu trabalho. Com o grande fluxo de trabalhos, o negócio cresceu e virou editora, mas fechou as portas anos mais tarde, em 1925, devido à crise da indústria nacional e clima político instável da época.
Após um breve período nos Estados Unidos a serviço do governo de Washington Luís, voltou para o Brasil e iniciou uma luta em defesa do petróleo e do ferro com forte cunho nacionalista e crítico ao governo de Getúlio Vargas, o que lhe rendeu três meses na cadeia em 1940, além da apreensão e destruição de algumas obras à venda.
Em meio a um clima político pesado e sob a censura, Monteiro Lobato se aproximou dos comunistas liderados por Luís Carlos Prestes. Foi à Argentina lançar alguma de suas obras e voltou ao país em 1947. Faleceu no ano seguinte, aos 66 anos, vítima de um derrame, deixando como herança mais de 30 livros publicados, uma obra reverenciada até hoje.
Fonte: Ricardo Ampudia (novaescola@atleitor.com.br)
http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/coletaneas/monteiro-lobato-criador-mundo-fabuloso-literatura-infantil-623552.shtml
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"Lobato nunca fez literatura por literatura. Poucos escritores botaram tanta intenção, tanto sofrimento, tanta preocupação, tão sério amor, nos seus livros e nos seus artigos, como o fez ele, em sua literatura combativa e tantas vezes combatida" Orígenes Lessa
Este espaço cultural dirigido a pessoas de todas as idades ajuda você a conhecer a vida e a obra de Monteiro Lobato.
Aqui o estudante encontrará informações para suas pesquisas ou trabalhos escolares.
O Projeto Memória 1998 - Monteiro Lobato foi desenvolvido pela Fundação Banco do Brasil e pela Odebrecht.
A direção geral e curadoria do projeto ficaram a cargo da Emporium Brasilis - Memória e Produção Cultural S/C Ltda., sob a coordenação executiva de Paulo Cesar de Azevedo. Pesquisa, edição e textos de Carmen Lucia de Azevedo, Marcia Camargos e Vladimir Sacchetta.
Destacamos o apoio decisivo da família Monteiro Lobato e da Monteiro Lobato Licenciamentos, empresa que administra os direitos autorais referentes à obra do autor, sob todas as formas de manifestação da imaginação lobatiana.
Acesse o site: http://www.projetomemoria.art.br/MonteiroLobato/index2.html

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segunda-feira, 18 de abril de 2011
quinta-feira, 31 de março de 2011
Monteiro Lobato

"Lobato nunca fez literatura por literatura. Poucos escritores botaram tanta intenção, tanto sofrimento, tanta preocupação, tão sério amor, nos seus livros e nos seus artigos, como o fez ele, em sua literatura combativa e tantas vezes combatida" Orígenes Lessa
Este espaço cultural dirigido a pessoas de todas as idades ajuda você a conhecer a vida e a obra de Monteiro Lobato.
Aqui o estudante encontrará informações para suas pesquisas ou trabalhos escolares.
O Projeto Memória 1998 - Monteiro Lobato foi desenvolvido pela Fundação Banco do Brasil e pela Odebrecht.
A direção geral e curadoria do projeto ficaram a cargo da Emporium Brasilis - Memória e Produção Cultural S/C Ltda., sob a coordenação executiva de Paulo Cesar de Azevedo. Pesquisa, edição e textos de Carmen Lucia de Azevedo, Marcia Camargos e Vladimir Sacchetta.
Destacamos o apoio decisivo da família Monteiro Lobato e da Monteiro Lobato Licenciamentos, empresa que administra os direitos autorais referentes à obra do autor, sob todas as formas de manifestação da imaginação lobatiana.
Acesse o site: http://www.projetomemoria.art.br/MonteiroLobato/index2.html
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
O sítio do Monteiro Lobato
Monteiro Lobato gostava de conversar com a menina Emília, a bonequinha de pano que ele próprio havia inventado e apresentado ao público no livro A menina do narizinho arrebitado, de 1920. Dizia que ela se sentava ao lado da máquina de escrever e, a todas as suas indagações, afirmava: “Eu sou sua independência ou morte, porque sou você mesmo”.
Acontece que Emília era o alter ego de Lobato, curiosa, falava demais e tudo o que tivesse vontade. “Ele conversava muito com ela e era exatamente assim: um homem que enfrentava tudo, que queria descobrir, experimentar, provocador, revolucionário”, relembra a escritora Tatiana Belinky, 91 anos, amiga do escritor no final de sua vida e a responsável, junto com o falecido marido Júlio Gouveia, pela primeira adaptação do Sítio do Picapau Amarelo para a televisão, em 1951, na extinta Tupi de São Paulo.
Mas Emília era apenas a gênese do universo intricado de José Renato Monteiro Lobato, o menino que nasceu na cidade paulista de Taubaté, em 18 de abril de 1882. Isso porque seu mundo era muito mais amplo e complexo do que as histórias que lhe trariam fama na literatura. Era conservador? Era modernista? Depende do ângulo de que se olha. Fato é que sempre esteve à frente de seu tempo. Foi ligado ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), espírita, investiu dinheiro, saúde e sua liberdade na defesa do petróleo nacional e, acima de tudo, transformou a literatura infantil brasileira ao lançar mais de 30 títulos da sérieSítio do Picapau Amarelo – além de duas dezenas de livros e romances destinados aos adultos.
“Lobato fundou a literatura infantil no Brasil. Não tenho memória de nada tão importante, nem antes nem depois dele. E não há ninguém com essa irreverência e essa criancice toda”, destaca a escritora de literatura infantil e juvenil Fanny Abramovich, 70 anos. “Ele é mais do que uma influência, porque ele é fundamental, mora dentro de mim”, completa.
AS MUITAS ESTRADAS
José Renato tinha apenas 11 anos quando resolveu mudar seu nome para José Bento. O motivo? Usar uma bengala que havia ganhado de herança antecipada e com as iniciais do pai José Bento Marcondes Lobato. Esse tipo de decisão era apenas uma faceta do garoto de personalidade forte que vivia enfurnado na imensa biblioteca do avô, Visconde de Tremembé, lendo Estranhas aventuras de Robinson Crusoé e toda a obra de Júlio Verne.
Na adolescência, colaborou com pequenos jornais literários de sua cidade natal e alguns de São Paulo, enquanto era interno do Instituto de Ciências e Letras. Mas perdeu muito de suas referências aos 16 anos, quando morreu seu pai, vítima de congestão pulmonar, e um ano depois sua mãe, Olímpia Augusta Lobato, que passava por uma profunda depressão.
Órfão e com 17 anos, Monteiro Lobato precisava dar vazão à paixão pela literatura e pelo desenho. Mas, se a vontade era cursar a Faculdade de Belas Artes, foi em direito que se formou, por imposição do avô. Isso não o impediu, no entanto, de participar dos movimentos literários estudantis na Faculdade do Largo de São Francisco.
Depois de formado, adiou o sonho artístico ao assumir a promotoria pública da pequena cidade de Areias (interior do estado) em 1907. E, no ano seguinte, casou-se com Maria Pureza da Natividade, a Purezinha, com quem ficou até o fim da vida. Casado e apaixonado, Lobato se esforçava, sem sucesso, para ser feliz como promotor e negociante. Tentou de tudo: fundar uma fábrica de doces em calda, sociedade em um negócio de estradas de ferro e a vida de fazendeiro, quando, aos 29 anos, mudou-se com a família para a Fazenda S. José do Buquira, deixada pelo avô. Perto dali, na Chácara do Visconde, em Taubaté, existe o Museu Monteiro Lobato, aberto diariamente para visitação.
Mas seu destino era escrever. Talvez por isso, o sucesso na literatura viria do acaso, em 1914. Na época, Lobato, pai de Marta, Edgar e Guilherme – Rute, a quarta e última filha, nasceria em 1916 –, escreveu uma carta indignada para O Estado de S. Paulo reclamando das constantes queimadas praticadas pelos caboclos que moravam na região de sua fazenda. Intitulado Velha praga, o texto alavancou o nome de Lobato.
Motivado, o escritor mudou-se para São Paulo em 1916 e, em pouco tempo, já escrevia constantemente no jornal e em revistas, além de lançar, em 1918, o primeiro livro O Saci Pererê: resultado de um inquérito. Embalado, comprou nesse mesmo ano a Revista do Brasil e fundou, em 1925 no Rio de Janeiro, a Companhia Editora Nacional.
PICAPAU AMARELO
Falar de Monteiro Lobato é falar de infância e, consequentemente, sobre o Sítio do Picapau Amarelo. Na fábula, dona Benta vive feliz em um sítio com seus netos Narizinho e Pedrinho e a cozinheira negra Tia Nastácia. Certo dia, Narizinho sai pra passear com Emília, a boneca de pano muda que começa a falar desenfreadamente depois de tomar uma pílula mágica do Doutor Caramujo. Irreverente, ela apronta todas na companhia de Visconde de Sabugosa, um aristocrático boneco de sabugo de milho, o leitão Marquês de Rabicó, o burro Conselheiro e tantos outros personagens.
“O Sítio é o território da infância, onde ninguém trabalha, ninguém faz nada. Não existe pai nem mãe, só duas avós que brincam com as crianças o tempo todo”, enfatiza Fanny.
A mesma certeza tem Tatiana Belinky, que, de 1951 a 1963, foi roteirista e responsável, com o diretor Júlio Gouveia, pela primeira adaptação da série para a TV Tupi. “Foram 12 anos ao total. É um grande prazer e honra ter feito a sé- rie e ela ter sido tão bem recebida. A gente fazia ao vivo um episódio por semana, sempre em horário nobre. E a criançada corria pra frente da TV”, conta ela.
Nos livros ou na TV – na qual ganhou adaptações em todas as décadas seguintes –, é difícil apontar quem não viveu no universo lúdico da série de Lobato e não tenha se apaixonado pela menina Emília.
“Emília é uma história à parte. Quem não quer ser igual a ela, independente, que sabe o que quer, que enfrenta todo mundo? Quando eu quero ser sacudida, não preciso de nenhum psicanalista. Basta ler Emília brinca Fanny, autora de O estranho mundo que se mostra às crianças (1983, esgotado) e Brincando de antigamente (1996, esgotado), entre outros.
POLÍTICA E PETRÓLEO
O mesmo homem celebrado pelas histórias infantis seria perseguido pelo governo de Getúlio Vargas nos anos 1930. Lobato encabeçava campanha pela soberania brasileira na extração e refino do petróleo enquanto o discurso governamental buscava facilitar a exploração por parte de empresas estrangeiras.
Sem se intimidar, o escritor gastou as últimas economias na fundação de quatro empresas de perfuração, sem jamais recuperar o investimento. Depois, perdeu prematuramente os dois filhos. Primeiro Guilherme, em 1938, depois Edgar, em 1943, ambos vitimados pela tuberculose, e ficou preso em 1941 por três meses durante o Estado Novo, por fazer duras críticas ao Conselho Nacional do Petróleo. Curiosamente, dois anos antes, em 1939, o petróleo foi descoberto em Salvador, em uma área chamada Lobato.
Mas a vida de Monteiro Lobato nunca mais foi a mesma. Foi perseguido por Getúlio e pelo governo seguinte, de Eurico Gaspar Dutra. E, do inconformismo com o país, escreveu Zé Brasil (1947), o último livro da carreira e que trazia à tona mais uma vez seu famoso personagem Jeca Tatu, dessa vez transformado em sem-terra.
A morte veio em 4 de julho de 1948, após um espasmo cerebral. Dia antes, como Maria José Sette Ribas, a já falecida revisora por toda a vida contou no livro Monteiro Lobato e o espiritismo (2004), o escritor assim se despediu: “Minha flha, amanhã ou depois, se vir no jornal que eu morri, você não vai chorar. Sabe bem que não morremos e esta foi, apenas uma de minhas passagens sobre a terra. Somos imortais”.©
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